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.:: notícias ::.

São Paulo. 29.12.2011. Notícias da terra natal. O Natal já se foi, a saudade não. Diferente de todo mundo, ela não viajou. A saudade congestiona toda cidade tão vazia de gente. O sol aparece pouco e pálido, entre nuvens, como meu sorriso e às vezes parece querer chover. Não há muitas notícias. Quase tudo parou na espera de tê-la de novo. Quase tudo. Tudo menos meu amor. Meu amor ansioso, mudou. Aumentou, cresceu, expandiu amor, amor meu.

.:: natal ::.

Natal é assim. Ele compra um presente que ela gosta. Jesus nasce num presépio no canto da sala e tem um canto de coral de crianças na tv. Ela pensa na roupa do Réveillon. Ele permite um drink a mais. Todo mundo finge alegria, com peru no fogo, fogos de artifício no céu e alguns embrulhos bem cuidados. Ela lembra de quando esperava Papai Noel. Ele lembra de seus avós. Ela pensa que queria ele ali na ceia. Ele pensa nesses dois mil e tantos anos de mundo. Meia noite. Ela abre o presente que ganhou dele e sorri. Ele fecha os olhos e sabe que ganhou dela o maior presente de todos, o amor.

.:: porque ::.

Por que eu? Porque você, porque seu sorriso, porque sua beleza – tão bonita por que? – porque assim, porque assado, porque doce, por que não salgado? Porque você quer foi por que eu fiz, por que é assim tão feliz? Por que tinha que ser assim, por que de outro jeito não. Porque é agora, porque tem que ser hoje um porque sem dúvida, porque sem nenhum senão. Porque às vezes chove, porque às vezes faz calor, porque lençol e por que não cobertor? Porque seu gosto? Por que eu gosto. Porque agosto e por que não o ano todo? Porque a qualquer hora não caberá mais porque. Porque não tem resposta, porque não tem pergunta, porque já sabes do que gosta e por que quando eu descubro também é meu mundo o que muda? Por que comigo? Na minha vida por que? É porque assim tão linda, é porque tão minha, é porque sem você, para que um porquê? Para que e por que, amor?

.:: insônia ::.

Flerto com a insônia quando a soma dos meus medos são maiores do que é certo; o mais correto então seria se mais perto das minhas manias ficasse a sanidade, que se não é saudade é direito meu ter coerência na carência dos sentimentos e dai todo lamento faria mais sentido que só contigo sou feliz de verdade que é tempestade o que chove teu nome em mim quando não estás comigo nestas noites de insônia.

Eu não gosto mais de você. Gosto de sorvete de chocolate, de vinho, de MPB e de jazz; gosto de cinema, de mesa de boteco e de poesia. Gosto de cores, gosto de quadros, gosto de arte e das moças nas capas de revista, também pela estética artística da coisa. De dias de sol, de cerveja, caipirinha e futebol eu gosto; gosto mais de tudo isso na praia e gosto um tanto do barulho que o quebrar de ondas faz. Gosto muito de crianças, gosto de cachorro, gosto dos meus amigos e de andar de mãos dadas sempre. Eu prefiro o verão, mas gosto do outono e do charme que o vento tem nesses dias. Gosto do jeito que o céu fica quando amanhece o dia, mas gosto mais de dormir nessas horas, então acho que acabo gostando mais do pôr do Sol. Eu gosto disso. Eu não gosto de você. Porque gostar é pouco. Eu não gosto de você. Eu te amo.

.:: vendo ::.

Vendo uma surpresa de encantar pensamentos, vendo seus olhos num cetim barato e, te vendo tão linda de batom e vestido de renda, me rendo.

.:: tanto mar ::.

Do pôr do sol na praia, brisa, vento, beijo e mãos dadas ele pensava. Tanto amor pra dar. Tanto mar, tanto mar. Calculava o prejuízo das ondas quebrando e a conta não fechava; precisava de um fio de comprido de realidade que a linha do horizonte. Desenhava rotas impossíveis de navegação com os pés na areia e não sabia prever distancias, mas era a falta de sonhar tesouros que o fazia um péssimo pirata. Entre goles de cerveja, invejava voo de gaivotas e quietude da ilha muito a frente. Quando olhava para o lado e olhava ela sorrindo era que tinha certeza. Estava onde deveria estar. Tanto amor para dar. Tanto mar, tanto mar.

.:: m ::.

Marinez vendia marinex. Morava na marina. Amiúde, mirava o mar. Entre marinheiros, marmitas e maravilhas. Morria todo mês, aos montes, por amor.

.:: noticiário ::.

Extra! Extra! Gritavam. Parou justo a cena de beijo da novela e deu na tv o que estava sendo impresso na primeira capa dos jornais porque era só o que se falava nas rádios, nos lares e nos bares já que, à boca pequena, o mundo todo já sabia: “eu amo você”.

Só existe um recomeço depois de um fim legítimo. Senão tudo é um meio falso, escorrendo no meio-fio do mundo.

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